terça-feira, 27 de abril de 2010

Ilha dos Amores

Comente a seguinte citação, num texto expositivo de 200 a 250 palavras: O estatuto do episódio da Ilha dos Amores salienta não só a ilusão da recompensa descrita, mas também a reflexão sobre o valor do prémio a que o Homem deve aspirar.

Esta ilha enamorada e fresca surge aos nautas portugueses como se lhes fosse empurrada pelos sopros de Vénus, a deusa do Amor, que lhes preparou uma recompensa, daí a escolha do número nove para incorporar este canto, é que ele representa o coroar dos esforços. Cantada por Camões no canto IX, é mais um dos artifícios do poeta para mitificar Os Lusíadas que, após terem descoberto o caminho marítimo para a Índia, nesta Ilha dos Amores, encontrarão belas deusas que, ensinadas por Citareia, caçá-los-ão.
Sendo resultado da imaginação humanista, esta ilha não existe geograficamente, o que explica todo o seu ambiente paradisíaco, típico do Renascimento, sintetizado na expressão latina locus amoenus. É nesta frescura de ilha que os portugueses, através da sua relação física com as ninfas, conquistam a imortalidade, tornando-se deuses. Assim, ficam realizadas as profecias de Baco que, com receio de ser substituído por este bicho de serra tão pequeno, se opõe a ajudá-los, afirmando que, se continuarem a progredir, os deuses deixarão de o ser. Mas, como será isto possível? Não será uma contradição um bicho destes conseguir ultrapassar-se a si mesmo, ao ponto de se ir da morte libertando?
Não. É exactamente este espírito de aventura, de querer ir sempre mais além, apesar dos inúmeros perigos, que nos faz ainda hoje aspirar com uma outra vida, onde gozaremos de um estatuto divino, com o qual, nesta primeira, nos procuramos identificar. Enquanto a vivemos, conhecemos a verdade, graças à partida, um dia, dos nossos heróis por mares nunca dantes navegados.

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