Há dias, uma professora lá da minha faculdade, pedia-me para ler um pequeno excerto de uma obra - Uma Noiva Bela, Belíssima - ou com ilustrações e texto, ou com apenas este, colaborando, assim, num estudo que estava a desenvolver. De imediato, aceitei. Gosto de ler e o saber não ocupa lugar. Depois, quando se fala em Educação Básica, dá-nos um jeitaço, como fututros educadores deste país, socorrermo-nos das histórias para trabalharmos temáticas, conteúdos, valores, entre outros aspectos relevantes na sua formação como cidadãos conscientes, autónomos, reflexivos e críticos.
Assim sendo, a mim, calhou-me o que continha apenas o texto, apercebendo-me de que, tal como já tinha sido avisada, aquilo se tratava de um excerto, logo, o enredo podia não estar todo contado, descoberto. Foi, aliás, o que aconteceu. Estava reticente, completamente em aberto...à espera de um final subjectivo, que partisse de cada um dos jovens envolvidos neste projecto, mal nos chegasse o e-mail enviado pela professora.
E agora? Agora? Agora o que se segue é, deveras, surreal, mas garanto e confirmo: aconteceu mesmo. Hoje. Divulguei que o e-mail que abria vinha em linguagem musical, e não em linguagem comum, vulgar, do nosso código escrito. Espanto e gargalhada total na sala de aula, ao ponto de me terem descoberto uma possível vocação: freira carmelita, já que, quando me pedem segredo, sei ao que se referem e sei guardá-lo literalmente. Literalmente bem guardado. Vocês sabem o quanto.
Mas, não satisfeita com o resultado, decidi seguir a pista da docente e tentar alterar o nome do já mencionado documento recebido para ".Doc". Mas quê? Pensam que me adiantou alguma coisa? Nada. Tentei, tentei e nada.
Então, enviei um e-mail à professora a explicar o ressucedido, anexando o ficheiro em causa. E, se pensam que mais estranho do que isto não podia jamais aparecer, desenganem-se, dado que a resposta foi: Mas esse é tal e qual o inquérito ao qual as suas colegas responderam. De facto, a tecnologia ainda nos surpreende. Quando isto acontece, é porque a outra linguagem é superiror à nossa.
Depois, com a tua ajuda, lá consegui aceder ao tal inquérito e prosseguir, elaborando as derradeiras respostas, sendo a antepenúltima a minha visão muito subjectiva da história da Filomena e do Ferruccio.
Na minha opinião, julgo que a Filomena, depois de ter percorrido um bom pedaço de tempo, deve-se ter deparado com o seu amado e lhe ter explicado o porquê de tanta agitação: sempre sonhara com aquele momento, que queria estar à altura das princesas de que tanto ouvia falar nos contos de fada, mas que o sucedido não alterava o seu sentimento por ele. Que, interiormente, tudo se mantinha. Que era igual. Não, mentira. Igual não. Não podia ser jamais igual. Maior, sim. Muito maior. Era maior. Tinha agora medo de o perder. Via-o triste, envergonhado, cabisbaixo e calado. Apenas a ouvi-la e a olhá-la. A mirá-la. De cima abaixo. Depois, já emocionado, com as lágrimas a escorregarem-lhe pelo rosto percebeu que era a sua vez de falar e disse-lhe as seguintes palavras: Sabes? Quem tudo quer, tudo perde. Espero que te tenha servido de lição. Além do mais, as pessoas não se gostam, não se falam, não coabitam, não se tornam cúmplices uma da outra pelas marcas que vestem, pelo perfume que usam, pelos livros que lêm, pelas lojas que visitam, pelo dinheiro que têm. As pessoas gostam-se, falam-se, coabitam, tornam-se inseparáveis cúmplices uma da outra, porque, para lá de tudo, que é terreno e palpável, o coração fala mais alto, e, o meu, já que lhe posso dar voz, diz-me, cada vez mais alto, que te amo, por isso, não me importa como estás trajada, interessa-me sim saber se estás bem. Ela, já igualmente enternecida, e chorosa, agora de alegria, abanou a cabeça, como quem afirma positivamente, tendo ambos percebido que já não pertencíam àquele espaço. Então, abraçaram-se e partiram para um mundo só deles, onde não havia lugar para o medo, incerteza ou desconfiança. Porquê? Porque não havia razão para isso. Imperava o amor. Aliás, era esse o oxigénio desse mundo, é esse oxigénio que os mantem eternamente vivos e apaixonados.
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