terça-feira, 27 de abril de 2010

Por quê?

Por quê que há pessoas que nos magoam?
Por quê que há pessoas que nos ofendem?
Por quê que há pessoas que nos maltratam?
Por quê que há pessoas que nos traem?
Por quê que há pessoas que nos mentem com todos os dentes e termos que possuem?
Por quê que há pessoas que nos fingem? Pessoas fingidas? Pessoas falsas?
Por quê que há pessoas que nos afirmam hoje uma coisa e amanhã (afirmam-nos), a pés juntos - se for necessário -, outra?
Por quê que há pessoas que na rua são uma coisa e em casa (são) outra?
Por quê que há pessoas que nos invejam? Pessoas invejosas?
Por quê que há pessoas que julgam ter o Rei na barriga?
Por quê que há pessoas que violam os direitos de outras pessoas?
Por quê que há pessoas que se esquecem dos direitos das outras pessoas?
Por quê que há pessoas que se esquecem que as outras pessoas também são pessoas?
Pessoas que (só!) teoricamente
Pessoas que (só!) legalmente
Pessoas que (só!) alegadamente
Pessoas que (só!) utopicamente
Pessoas que (só!) hipoteticamente
Pessoas que (só!) supostamente
Pessoas que teorica, legal, alegada, utopica, hipotetica e supostamente seriam iguais
Pessoas iguais em tudo às primeiras pessoas: pessoas de carne e osso como elas?
Por quê que metade da população mundial (ou até mais) passa a vida a passar fome (a verdadeira, não a resultante da falta de uma ou de duas refeições diárias) enquanto a outra metade passa a vida a regojizar-se, deitando comida fora, enquanto a outra metade passa a vida a esbanjá-la, a desperdiçá-la?
Por quê que há pessoas que vivem em moradias ao passo que outras pessoas têm nas ruas o seu mundo, a sua eterna morada?
Por quê que eu me tenho de apegar a estas pessoas?
Por quê que eu me tenho de entregar a estas pessoas?
Por quê que eu me tenho de entregar a estas pessoas a 100%?
Por quê eu me tenho de entregar a estas pessoas de corpo e alma?
Por quê que, mais tarde, ou mais cedo (tudo depende do meu termómetro emocional) venho a sofrer com tudo isto?
Por quê que há tanta disparidade?
Por quê que há tanta disparidade racial, social, financeira?
Por quê que, quando o sol nasce, não é para todos?
Por quê que há pais que abandonam os seus próprios filhos?
Por quê que há pais que rejeitam os seus próprios filhos?
Por quê que há pais que abusam dos seus próprios filhos?
Por quê que há pais que violam os seus próprios filhos?
Por quê que há pais que, mesmo não tendo onde cair mortos, continuam a esbanjar os últimos cêntimos que lhes restam nos últimos modelos de telemóveis, nos últimos modelos de automóveis, nos últimos cigarros (desse dia), nas últimas marcas de vestuário, quando, aos seus próprios filhos, lhes falta tudo (habitação, alimentação, educação, cuidados de saúde regulares, respeito, carinho, afecto, amor)?
Por quê que há pais que são padrastos?
Por quê que há padrastos que são pais?
Por quê que há mães que são madrastas?
Por quê que há madrastas que são mães?
Por quê que, debaixo do mesmo tecto, há dois pesos e duas medidas?
Por quê que até a própria vida não se cansa (até ela!) de ser tão madrasta para connosco?
Por quê que a humanidade é tão desumana?
Por quê que a humanidade de humana nada tem?
Por quê que a humanidade de desumana de nada carece?
Por quê????
Vocês conseguem explicar-me?
Não?!
Eu esclareço-vos:
É que o Homem é o Lobo do Homem.
É que o Homem é o Lobo do Homem Ontem.
É que o Homem é o Lobo do Homem Hoje.
É que o Homem é o Lobo do Homem Amanhã.
É que o Homem é o Lobo do Homem Ontem, Hoje, Amanhã e Sempre.

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