terça-feira, 27 de abril de 2010

As Cinco Torres da Minha Vida

Bom dia, alegria!!!
Quem é vivo sempre aparece, não é? É nisso que deves estar a pensar: acertei? Bingo! Eu percebo, mas não te tenho vindo visitar, pois não me tem sido possível. Faculdade, Páscoa, Família. Aprendizagens. Enfim, numa só palavra, Vida. Desculpas-me? Serei capaz de me redimir por este meu significativo silêncio? Vou tentar fazê-lo. No fim, conto com a tua sinceridade na obtenção desta resposta, ok?
Porém, por agora, peço-te que me escutes com a devida atenção. Vou regredir cronologicamente e confiar-te um dos muitos episódios ocorridos. Xuuuuuu!! Ouve-me! Vai começar…
Há uns meses atrás, sensivelmente a meados de Fevereiro, um Amigo meu confidenciou-me que se identificava com a minha escrita.
Hmmm…porquê?
Ora, em tempos, também ele se dedicava a esta actividade. Todavia, abandonou-a, e, ao rever-se no que ia lendo do meu blogue, encontrou-se. Foi assim que nele renasceu o gosto adormecido pela escrita.
Embebido nessa revitalidade, decidiu colocar-me um desafio: redigires um texto baseada num dos títulos das minhas composições, As Cinco Torres da Minha Vida.
Imediatamente, SIM. Sim, claro que aceito a proposta.
Do outro lado, recebo: Quando a concluíres, envia-me por e-mail para que possa confrontá-los e verificar as nossas semelhanças.
Combinado. Assim o farei.
E assim foi. O tempo foi passando, e, com ele, amadurecendo as ideias que me ocorriam acerca deste mote, deste incentivo, a esta minha Escrita Afiada.
A primeira que me surgiu foi extremamente básica. Nada genuína, acrescentaria até. Reflectir sobre cada um dos seus constituintes e interpretá-los de forma holística, global. Integrada. Equilibrada.
Façamos, então, este exercício em conjunto. Vou pensar alto. Mais uma vez.
Comecemos com o As. Pensando em As, julgo que pouco mais há a dizer. Apenas que se enquadram morfologicamente na categoria dos determinantes artigos definidos femininos do plural.
Que termo é que será igualmente conjugado no plural? (Não digo no feminino, porque Torres é uma das muitas palavras neutras existentes na nossa Língua)
Óbvio: Torres.
Torres?
Sim, Torres, correndo o risco de estar a escrever sobre um assunto que já fez correr muita tinta – as ex-Torres Gémeas, Torre Eiffel, Torre de Pisa, Torre do Tombo, Torre dos Clérigos, Torre de Babel –, e, inevitavelmente, sobre quem as “arquitectou” em torno de questões como quando, como e onde.
Contudo, estas distinguem-se de quaisquer outras pela sua especificidade. São diferentes. Ímpares. Únicas. Únicas, mas não solitárias. Aliás, só assumem real significado quando juntas. Reunidas. As Cinco. Aí, tornam-se grandes, resistentes. Fortes. Inabaláveis. Indestrutíveis.
Com o numeral cinco, já lemos expressões como Cinco Para a Meia-Noite, Os Cinco, Cinco Estrelas, sendo que, nestas duas últimas, este assume a função de cardinal por se referir à totalidade de elementos de um dado conjunto.
Mas agora As Cinco? A que aludirão?
Boa pergunta. Não sabem? Ainda não adivinharam? Acham que não conseguem acompanhar o meu raciocínio? Tudo bem. Eu digo-vos.
As Cinco. As Cinco Torres.
Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, mas quais?!
Ah! Isso agora já é outra conversa. Eu volto a explicar.
É a do eu, onde este se encontra, embora não haja um discurso narcísico nem egocêntrico. Apenas se reconhece como um dos elos importantes, ao partir da sua própria auto-estima e gosto pessoal para estar de bem com a Vida e com o Outro.
Com o Outro. A próxima, a próxima Torre, é a do Tu. Lá está, a do Outro, que, como nosso semelhante, exactamente semelhante, independentemente das suas opções políticas, religiosas, sexuais ou clubísticas (não me refiro às raciais, que estas não existem. Raça há só uma: raça HUMANA!), deve ser respeitado, estimado e valorizado como um contributo para o crescimento do grupo.
Indissociável destas duas, surge a seguinte. A do Nós. Nós em que o Eu se associa ao destinatário da enunciação, o Tu, representado não importa em que figura – pai, mãe, irmão, irmã, tio, tia, primo, prima, amigo, amiga, namorado, namorada, etc. Nós esse onde impera a compreensão, a tolerância, o sentido de entreajuda. Nós no qual se reafirma a ausência do carácter individual como consciência de que o Homem é um bicho social, e, como tal, incapaz de ser feliz sozinho (ainda que admita que a felicidade é momentânea. Porém, está nas mãos de cada um alcançá-la. De nada nos adianta ficarmos sentados à espera de uma mãozinha. Acordem para a Vida).
Apresentadas estas três primeiras Torres, ficam a faltar-nos outras duas. A quarta e a quinta, que é como quem diz a do Saber e a do Estar.
Quanto à quarta, a do Saber, parece-me indiscutível a sua inclusão: é necessário sublinharmos a formação contínua, que perdura tanto quanto a Vida, o facto de o Saber não ocupar lugar algum, o que torna a sede insaciável e a Vida uma constante interrogação perante a qual temos sempre mais e mais questões a colocar. Ou seja, quanto mais descobrimos, mais ansiamos desvendar. Saber. E só Sabemos que nada Sabemos.
Já a quinta, a do Estar, engloba o Saber Estar em sociedade, embora não corresponda ipsis verbis ao conjunto de regras que se devem tomar como exemplos por serem os politicamente correctos, aceitáveis. Esperados. Pré-concebidos. Isso não cá vive. Aqui, a marca é outra. É a da sinceridade. A da frontalidade. A da frontalidade como espelho de alma. Convivemos, comportamo-nos, estamos onde, como, quando e com quem desejarmos, porque assim o pretendemos. Não porque Lá terá de ser. Bora lá fazer este jeito.
Muito resumidamente, são estas as Minhas Torres.
As Minhas Cinco Torres da Vida.
Uma
Duas
Três
Quatro
Cinco

Concordas?

*)

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